A data de 12 de Maio terá sempre um grande significado para mim. Foi no dia 12 de Maio de 2004 que diz a transferência de 3 projectos de babys para a minha barriga. Era a 5 vez que o fazia e nessa altura do campeonato, a esperança já começava a diminuir.
Lembro-me de ter saido da MAC e de ter ido para casa da minha mãe. As cerimónias do dia 12 de Maio, transmitidas de Fátima, estavam a dar na televisão. E eu rezei, rezei com muita fé e pedi à Nossa Senhora, que é mãe, para me conceder a graça de ser mãe como ela.
Penso que ela me ouviu, pelo menos eu acreditei nisso na altura, porque desde que a minha máe morreu que a minha fé anda pelas ruas da amargura, mas isso é outra história que não tem a ver com o post de hoje.
Dos 3 pseudo-babys apenas um se agarrou com muita força à minha barriga. E 15 dias depois, quando fiz o teste de gravidez ao sangue (vulgo beta) tinha um valor muito baixinho, de 10,25. Confesso que não fiquei muito entusiasmado, mas o meu filho já era um lutador desde as 1ªs células e o valor subiu 2 dias depois e na semana seguinte os valores já ultrapassavam a casa dos 1000.
Só que eu ainda tinha medo. Tinha sofrido um aborto espontâneo às 7 semanas, depois do 2º tratamento e tive medo que algo do género pudesse acontecer. Mas correu tudo bem. Quando fiz a 1ª eco às 8 semanas, o feijãozinho lá estava, com um pontinho a piscar no lugar do seu coração. E na 2ª eco, pelas 12 semanas, eu tive a certeza absoluta que ia ser mãe.
Geralmente as pessoas que passam pela infertilidade tem sempre receio de não conseguir levar até ao fim a gravidez que tanto desejaram. Mas eu, a partir da 12ª semana tive a certeza absoluta que tudo ia correr bem. se tinha custado tanto chegar ali, nada me ia parar agora.
E 9 meses depois nasceu o meu João Dinis. A luz que ilumina a minha vida. O meu farol, o meu tesouro. Amo-o mais que qualquer coisa no mundo e arredores, incondicionalmente e com uma paixão que não se explica, só quem é mãe compreende este sentimento tão arrebatador.
Queria dar-lhe irmãos. E tentei. Também faz mais ou menos um ano que dei por terminada a minha luta contra a infertilidade. O meu marido disse-me que estava cansado das expectativas que depois morriam na praia. Eu aceitei. Porque ter um filho é uma opção a 2 e não só minha. Mas dentro de mim a esperança nunca morreu. Porque não acreditar num 2º milagre?
Todos os meses quando o meu inimigo nº 1 aparece fico triste, uma vez até chorei e fiquei triste porque o meu marido achou que era um disparate, pois tinhamos desistido de tentar. Eu continuava com esperança.
Esta semana, não sei bem porquê, dei por mim a pensar que afinal eu nasci mesmo para ser mãe do João Dinis. Para o educar, para tratar dele, para lhe dar amor e carinho. Era este filho que eu tinha destinado. Mais nenhum. E ele é uma benção, sem duvida nehuma. Por isso agora é que resolvi mesmo tudo dentro da minha cabeça. Gostava de continuar a tentar? Sim, claro que sim. Mas se isso me faz sofrer tanto, para quê? Qual o objectivo?
Eu sei que vou ser mãe de novo, mas o meu filho ou a minha filha já nasceram. Algures neste pais ele ou ela está à minha espera. Ele(a) não me conhece nem eu a ele(a) mas seu que mais cedo ou mais tarde nos vamos encontrar. E este quase, quase de novo... Mas isso fica para outro post, que este já vais longo (para variar :)
Por isso agora vou dedicar-me a mimar e beijar e brincar e abraçar o meu filho lindo, esperando, sempre esperando pelo telefonema que me vai dizer que a minha familia vai aumentar.
Bom fim de semana






















