Estou inscrita para adoptar uma criança desde finais de 2002. Fui dada como apta para adoptar em Janeiro/2004.
Em 2005 nasceu o meu filho e eu e o meu marido conversamos acerca de continuarmos com a hipótese de adoptar uma criança e achamos que no nosso coração havia espaço para mais uma criança, fosse filho biológico ou não e que seria tratado da mesma maneira e com o mesmo amor e carinho que temos pelo nosso Dinis.
No final de 2007 telefonaram-me da Segurança Social a dizer que tinham 2 crianças para me entregar, uma menina de 4 anos e um menino de 5 anos. Mas como nos registos deles não constava o meu filho, que na altura tinha 2 anos e não era possível entregarem-me crianças mais velhas que os filhos biológicos, acabou por ficar tudo em águas de bacalhau.
No dia do aniversário do meu filho recebi um telefonema a perguntar se ainda estava interessa e 2 meses depois uma carta a fazer a mesma pergunta. Claro que estou, nunca vou desistir, não deveriam estar antes a cativar as pessoas em ver de lhes perguntar montes de vezes se querem desistir?????
E a espera continuava. Um dia "falei" na net com uma moça que estava inscrita para a adopção mais ou menos desde a mesma altura que eu e a quem tinha entregue um menino de 3 anos à mais ou menos 6 meses. Ela aconselhou-me a telefonar para a Segurança Social e depois de tomar balanço, foi o que fiz.
Atendeu-me a técnica que estava com o nosso processo e que depois de muita conversa sobre se ainda estava interessada, se as condições pretendidas se mantinham, se o meu marido estava seguro da decisão de adoptar depois de já ter um filho, acabou por me dizer que estava quase, quase a chegar a nossa vez. Até me disse que ela estava quase a reformar-se e que achava que antes de isso acontecer ainda seria ela a entregar-me uma criança. E por isso lhe desejei que fosse para a reforma rapidamente, para me poder dar o meu filho do coração também rapidamente.
Fiquei com o coração aos saltos e a cabeça a mil à hora. Será que está quase? Será que a minha vida mais ficar ainda mais cheia de risos e correrias de criança? Nessa noite mal dormi a pensar em mil e uma coisas. Pensei que não vou dar mais roupa do Dinis pois pode servir ao mano (acho que meninas é mais complicado e não me importo nada que seja outro menino, apesar de o meu marido ter preferência por uma menina....). Pensei em que escola o vou colocar. Pensei como é que o Dinis irá reagir a mais uma criança tão próxima na sua vida, porque uma coisa é ele pedir manos e outra é o impacto que terá na sua vida). Pensei nas implicações a nível profissional e que tenho de ter uma conversa com o meu chefe. Porque quando estamos gravidas as pessoas tem 9 meses para se prepararem para o facto de irmos ficar em casa uns meses com o nosso novo filho, se adoptamos é quase de um dia para o outro e também temos o direito de ficar com eles.
Voltei a olhar ansiosamente para o telemóvel, como me acontecia quando me inscrevi e tinha esperança que as coisas fossem mais rápidas do que foram na realidade. Voltei a sentir o coração a bater mais depressa quando o numero que aparece no telefone é desconhecido.
Mas sei que ainda tenho de esperar mais algum tempo. Já falta pouco, espero eu. Mas se não tiver noticias quando voltar da férias, lá para Outubro ligo outra vez para a Segurança Social. Se não for de outra maneira, há-de ser pela exaustão, para se verem livres de mim, para deixar de ligar e de os chatear.
Está quase, sinto que está quase. Sinto que está para breve ter mais um sorriso junto deste lindo que aqui está nesta foto.






