terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sobre tudo e sobre nada...

Hoje apetece-me escrever aqui mas não tenho nenhum assunto em especial para contar, por isso vou escrever o que me passa pela cabeça...  :)

No domingo fizemos a árvore de Natal lá em casa. Costumamos fazer no 1º dia de dezembro mas a pedido de várias famílias (leia-se filhotes) fizemos mais cedo. Não foi fácil pois era eu e o Dinis a colocar os enfeites e o Eduardo a tirar... Mas por fim lá ficou esta obra de arte, cuja responsabilidade é em parte dos meus meninos  :)






Na 6ª feira o Dinis foi na sua 1ª visita de estudo com esta escola e foram ao hospital da bonecada. Tinham de levar um boneco para poder ser devidamente tratado e na foto está o boneco que ele levou e que regressou a casa devidamente "tratado" com uma ligadura na cabeça e uma fita vermelha no pulso, de atendimento prioritário  :)


Este ano os habituais jantares de natal vão ser escassos. Costumo andar a correr de um lado para o outro e no mínimo ter meia dúzia de jantares desse género, entre colegas e amigos mas acho que este ano não vai haver mesmo nada. É a crise, mas confesso que tenho pena pois gosto muito destes convívios. A solução seria fazer jantares caseiros mas nem todas as pessoas tem confiança suficiente para o fazerem.

Em relação ao meu post anterior gostaria de dizer que não gosto que me façam comentários anónimos sem se identificarem. Alguém me colocou um link para um artigo em que aparece como anónimo. Ponham um nome, por favor, pois de outra forma os comentários para mim não tem sentido. Pode ser o Zé ou a Maria, mas gosto de chamar as pessoas pelo nome. Podem dizer-me para não permitir comentários anónimos, mas sei de muitas amigas que comentam e que apenas o conseguem fazer dessa forma...

Ainda sobre o post anterior digo-vos que apenas escrevo sobre o meu percurso de vida para saberem que não sou uma pobre menina rica (infelizmente...) pois sei bem o que é viver sem ter dinheiro quase nenhum. Sei o que é não ter quase nada, a nossa sorte, minha e dos meus pais, foi que sempre moramos em casa de uma tia e como a minha mãe tinha muitos irmãos no campo, a batata e a couve não faltavam lá em casa. E não havia Banco alimentar contra a fome nem RSI e reformas era algo que começava  despontar.

Quis mais na vida, quero dar aos meus filhos o mesmo amor e carinho que os meus pais me deram mas não quero que eles passem a nivel financeiro o que eu passei. Estudei, lutei pela vida, nunca desisti de nada na vida e sinto-me impotente para lutar contra estas injustiças que vejo no dia a dia. Há gente pior que eu? Claro que sim, também nunca quis o pódio da mais desgraçada, pelo contrário... Se tenho pena dessas pessoas? Claro que sim, tenho tantos amigos nessas condições que só se fosse completamente insensível pensaria o contrário... E isso significa que me devo resignar e ficar muito caladinha com o que me estão a tirar que é meu por direito, porque trabalho para o ter??? Não me parece!!! E já agora, já que greve não é solução que devo fazer para mostrar o meu descontentamento??? (pacificamente claro, que eu cá não quero confusões...) Sugestões aceitam-se...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Publico versus particular

Já a minha avó dizia: "Dividir para reinar..." e é isso que sinto no nosso pais neste momento. Em vez de unir as pessoas neste momento de crise, o sr primeiro-ministro e os seus capangas dividiram o pais entre o sector privado e o publico.

Sinto isto cada vez que estou à conversa com amigos. Como eu e o meu marido trabalhamos no publico, vem logo dizer que temos muitos privilégios, que ganhamos muito, que há gente a mais... Que engraçado, trabalhamos no publico à alguns anos (durante muito tempo eramos uma instituição publica mas com capitais privados) e nunca ninguém se lembrou de fazer comentários sobre este assunto... só depois dos idiotas que estão no poleiro virem com conversas de treta, parece que tudo o que é mau é culpa da função publica... Suponho que até o tempo é culpa nossa, ou o degelo do Polo Norte...

Confesso que estou cansada desta conversa mas imagino que o intuito de tudo isto seja mesmo desviar a atenção de nós pobres trabalhadores pagadores de impostos, seja do publico, seja do privado, que é, de que é a culpa da crise...
Sim, nós também temos culpa. Quando aceitamos que nos paguem menos para a entidade patronal declarar menos mas dando-nos o resto do vencimento de formas alternativas, quando dizemos que somos mães solteiras quando o pai dos nossos filhos mora lá em casa, simplesmente não é casado connosco e por isso recebemos subsídios aos quais não deveríamos ter direito, quando recebemos RSI porque nos sabe melhor ficar no café a fumar um cigarrito porque trabalhar cansa...

Todas as pessoas que tem este tipo de mentalidades são culpadas do estado do nosso pais... mas não são elas as principais acusadas. Os nossos dirigentes que com a sua gestão negligente, com o favorecimento dos seus amigos e outras aldrabices que tal, transformaram o nosso pais na tristeza que é hoje. E agora eu e vocês que estão ai desse lado é que temos de pagar a crise????

Onde está a culpabilização dos gestores que desviaram milhões, que roubaram, enganaram? Já viram algum??? O Isaltino continua em liberdade, o Duarte Lima foi preso mas deem-lhe 2 ou 3 dias que já vem cá para fora (não me venham com tretas que alguém de origem pobre tem o dinheiro que ele tem sendo trabalhador honesto...) o João Jardim que vai gastar 3 milhões de euros em enfeites de natal e fogo de artificio e adjudicou à empresa de um amigo, o Sócrates que com o seu nariz empinado está agora de "férias" em Paris depois da mãe dele ter comprado uma bela mansão ganhando pouco mais que a reforma minima... 

Esta malta e muito mais é que devia pagar a crise!!! Toda a gente sabe estas coisas e ninguém faz nada???? Mas onde é que está a justiça deste pais, deste mundo??? Eu confesso que a maior parte das vezes nem quero saber pois fica sempre tudo em águas de bacalhau, nada acontece aos corruptos, aos bandidos, aos ladrões????

Fico doente com estas coisas e infeliz também. Chego a questionar-me sobre se ser honesto é bom ou mau. Dizem-me que pelo menos durmo descansada mas quer-me cá parecer que esta cambada também dorme descansadinha e ainda por cima em hotéis de 5 estrelas.

Não sei que vida e tipo de sociedade vamos deixar aos nossos filhos e isso preocupa-me bastante. Eu sei o que é viver quase sem um tostão no bolso, ter apenas a roupa e os sapatos em 2º ou 3º corpo/pé, ter meia dúzia de brinquedos que me eram oferecidos com muito sacrifício mas valiam por 200 de agora. Mas tive muito amor e carinho e se me perguntasse que queria trocar, sem duvida diria que não. Só que eu n~em sequer sabia o que era ter e por isso não me fazia falta...

Por isso não interessa se somos do publico ou do privado, já falei disso aqui, sinto-me roubada, rebaixada, achincalhada. Vamos tentar fazer alguma coisa para melhorar este pais, que não seja roubar aquilo a que os trabalhadores tem direito!!!!

PS - E se os anónimos que vem aqui deixar comentário se identificasse? Podiam ser Zé, António ou Maria mas gosto de chamar as pessoas pelos nomes... E já agora, contem a vossa história como deve ser, digam-me a vossa formação profissional e à quanto tempo trabalham (sim que eu também ganhava 50 contos quando comecei a trabalhar à 23 anos... Obrigada!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Parabéns para mim como bloggeira :)



Virei a pagina da minha agenda da secretária e vejo que hoje é uma data especial: 5 anos de bloggar!!! Não é propriamente este blog que faz anos mas sim eu própria como "escritora" na net, pois bem ou mal vão ficar aqui para sempre os meus desabafos...
O meu 1º post foi no meu 1º blog que tinha aqui
http://era1xeu.blogs.sapo.pt/

"Teste, 1,2,3
Criei este blog agora mesmo e nem sei que hei-de fazer com ele? Que feio... Como é que se põe um blog todo bonito?????"

Mudei para este blog porque tinha dificuldades em anexar fotos e em as ver. Estou feliz aqui e gosto de escrever, gosto de desabafar, gosto de ler os vossos comentários e de sentir o nosso feedback. É assumidamente um babyblog, pois os meus filhos foram muito, muito desejados (como toda a gente que me segue sabe) e por isso são a parte principal da minha vida. Mas também aqui desabafo sobre outros assuntos, sobre o meu dia a dia, sobre as minhas frustrações e desejos...

Fiz através deste meio muitas e boas amigas, algumas já reais, outras que se mantém virtuais mas não menos importantes por causa disso.

Criei à menos tempo o meu blog de livros

www.pereirasbooks.blogspot.com

para falar sobre mais uma paixão da minha vida: a leitura.

Não queria deixar de salientar comentários menos simpáticos sobre blogs como o meu, que basicamente falam de crianças, a essas pessoas digo-lhes que não sejam invejosas e que arranjem uma vida além de dizerem mal dos outros! Ora toma!   lol

Ora então parabéns a mim e continuem com as vossas visitas e os vossos comentários, que eu dentro do possível, vou continuar por aqui a contar a minha vidinha para quem a queira ler, neste meu diário/semanário publico...

Obrigada por estarem ai desse lado!!!!!!


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobre adoção

Já à algum tempo ando para fazer um post sobre adoção. Por nada de especial e por tudo o que significa na minha vida. E ontem recebi um mail de resposta da assistente social que tratou do processo de adoção do meu menino e que me disse que apenas eu e outra mãe lhe vamos dando noticias do meninos e que elas gostam tanto de saber como as coisas estão a correr e de acompanhar o crescimento deles...

Cada vez menos pessoas sabem que o meu filho é adotado, visto já ter o nosso nome e acho engraçado quando comentam que é parecido com o pai  :) Também vou pensando cada vez mais que se aproxima a altura em que terei de conversar com ele e de lhe dizer que não nasceu na barriga da mãe mas sim no seu coração. não me sinto particularmente ansiosa em relação a essa conversa mas tenho algum receio na reação dele. Será ele a desencadear tal conversa quando demonstrar curiosidade sobre algumas coisas, como não ter fotos desde que nasceu, como o irmão ou não ter estado na barriga da mãe. Já me fez alguns comentários sobre estar dentro da minha barriga mas eu acho que com 2 anos, ainda não ia entender o que eu tenho para lhe explicar.
Os comentários são cada vez menos sobre nós mas ainda sinto que as pessoas falam à nossa passagem em como adotamos uma criança. não de uma forma negativa mas quase com admiração. Porque para mim e para o meu marido a adoção foi uma coisa tão simples, tão fácil, tão comum, que me surpreendeu que a maior parte dos meus amigos e familiares, alguns dos quais que eu considero pessoas com o espírito muito pratico e aberto, me dissessem que nunca adotariam uma criança... E a principal razão para não o fazerem era acharem que podiam não as amar suficientemente...

Também me questionam frequentemente se eu não tenho medo de gostar mais do Dinis por ser meu filho biológico ou se não penso que estou a tirar coisas ao biológico para dar ao adotado, principalmente com a crise que nos apanhou.

Respondo sempre se que por um segundo me tivesse passado tal ideia pela cabeça nunca teria avançado para adoção. E que se tivesse 2 filhos biológicos nunca ninguém me faria a pergunta de se achava que estava a tirar a um para dar ao outro...

A nivel se aceitação, acho que 100% das pessoas da minha família e amigos aceitaram o Eduardo como "igual", digamos assim, apesar de existirem algumas pessoas que eu sei que gostam muito dele, acho que é um querido mas nunca exatamente igual ao meu filho mais velho... Tenho uma tia que a 1ª coisa que perguntou quando lhe contei que tinha adotado, foi se ele era "clarinho" e diz imensas vezes que gosta muito dele mas o Dinis é que é o seu menino... Outra passa a vida a dizer que eu vou ter muito trabalho com ele, cada vez que faz uma birra ou mostra má, algo normal nas crianças, mas cujos comentários nunca são dirigidos ao mais velho.

E noutro dia descobri que o meu filho é um menino "diferente". Porque na escola do Dinis leram um livro sobre meninos diferentes e lá estava escrito que as crianças adotadas eram diferentes das outras e tínhamos de as aceitar bem, blá blá blá... O Dinis na sua inocência de criança, a quem sempre foi passada a ideia de que a adoção era algo tão comum e natural como beber um copo de água, disse logo que o mano dele era adotado... Vieram logo mães de outros colegas dele, que não sabiam, perguntar se era verdade e passaram a trata-lo com uma atitude quase paternalista.

Também me faz confusão quando leio ou vejo pessoas ofendidas quando lhes dizem que pode adotar, por terem problemas de fertilidade (como eu tenho). A adoção nunca deve ser uma alternativa mas sim um complemento. E deve ser uma decisão de comum acordo entre as duas partes envolvidas. Que me desculpem se vou ofender alguém com o que vou escrever, mas quem tem problemas para engravidar e não põe a hipótese de adotar ou acha que é um disparate alguém propor tal, não quer ser mãe, quer sim estar gravida. E existe uma diferença, eu bem sei pois apesar de amar o meu filho adotado EXATAMENTE da mesma forma e com a mesma intensidade que sinto pelo mais velho, gostaria de o ter sentido crescer dentro de mim, de lhe poder contar histórias de embalar onde lhe dissesse que este quentinho na minha barriguinha durante 9 meses...

Mas o amor é algo que nasce com o convívio, que cresce como uma flor, que se conquista. Amar os nossos filhos quando estão dentro da nossa barriga, sentir uma paixão imensa logo que eles nascem? Sim eu senti isso pelo Dinis mas existem muitas mães que não o sentem, que não tem afinidade pelos filhos, que só sente esse amor de mãe muito tempo depois de os filhos terem nascido, ou nem o sentem sequer...

Por isso acreditem, ser mãe do coração é tão bom como ser mãe biológica, faz-nos sentir realizadas da mesma forma e nem nos lembramos que esse ser lindo que existe nas nossas vidas não nasceu da nossa barriga mas sim do nosso coração e que daríamos a vida por ele, em qualquer momento, sem pensar 2 vezes.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Dinis e a escola

Como sabem o meu filho mais velho foi para o 1º ano em setembro. Foi para uma escola do estado, pois o dinheiro não chega para o por numa boa escola particular e de outra forma acho que não vale a pena, até porque existem professores muito bons também nas escolas estatais, penso que é tudo uma questão de sorte.

É uma emoção ter um filho já tão crescido, que vai para a escola aprender a ler e a escrever, entre outras coisas. O que me preocupa é que o meu filho lê melhor que muito adultos. Lê na perfeição qualquer coisa que lhe passe pelas mãos e os livros de eleição são os do Jerónimo Stillton, da bruxa Mimi (em versão pequena) e do João Pastel...

Mas isso é bom, dizem vocês. Pois, é bom e é mau. Preocupa-me que se desinteresse pela escola, que ache chato estar a aprender coisas que já sabe. Quando lhe perguntam o que ele já aprendeu alguma coisa ele diz que sim, coisas que já sabia...  Já falei com a professora acerca da hipótese de ele passar para o 2º ano mas existem algumas coisas que ele ainda tem de aprender tal como as letras manuscritas e principalmente as regras de estar na sala sossegado e atento. Já recebi 2 vezes recados da professora de musica a dizer que ele está desatento e a distrair os colegas... agora descobriu que os colegas se riem das coisas que ele diz, porque ele tem um raciocínio muito rápido e por isso consegue ter sempre algo para dizer e como tal gosta de ser engraçadinho...

Enfim, preocupações de mãe galinha, que quer muito que o filho se saia bem na vida e não ache a escola algo chato e sem graça, mas sim uma porta para o mundo, para aprender mais e melhor sobre o mundo que o rodeia.

Tenho medo que se desmotive, que ache uma seca estar a aprender o b a = ba quando sabe ler livros do Jeronimo Stillon e escrever (em letras de imprensa) otorrinolarinologista  :)   Será que a rebeldia se traduz numa falta de interessa na escola? Porque ele gosta da professora, está sempre a dizer isso e que gosta de brincar com os amigos que tem na sala (se calhar até demais...)

Não é fácil educar um filho, não é fácil escolher os caminhos certos... Às vezes penso que não o devia ter tirado da escola particular onde estava antes, que tinha a 1ª e a 2ª classe na mesma sala, assim ele podia ir aprendendo mais coisas novas mesmo estando na 1ª classe... Mas são escolhas que se fazem na vida, achei que se não tinha dinheiro para o colocar num bom colégio particular, se calhar estaria melhor no estado e assim tinha hipóteses de colocar o mano na mesma escola em breve.

Vamos ver o que me espera, sei que ele é um menino inteligente (até gostava de fazer um teste ao QI dele, só para saber...) e muito sedento de aprender mais e mais. Nada o para quando quer saber ou compreender algo, vai à net, procura em livros, pergunta e torna a perguntar até ficar satisfeito, tenho medo que ele considere que a escola não é um desafio à sua altura....


sábado, 22 de outubro de 2011

E hoje sou bebé!!!

 Era uma vez uma mamã e um papá que gostavam muito um do outro. Como tal queriam ter bebés mas os bebés não chegavam. Um dia aconteceu um milagre e depois de 10 anos de casamento cheguei eu! E faz hoje 42 anos, por volta das 18 horas, que tal aconteceu!!!! Pena que nenhum dos intervenientes principais, e intenda-se como a minha mãe e o meu pai, estejam presentes para comemorar tal data, confesso que é o que mais me custa sempre que faço mais um ano de vida...

Felizmente tenho lá em casa 2 pestinhas lindos que espero que me encham de beijos e mimos e isso para mim é o melhor do mundo!!!! E claro, tb adoro os mimos do meu pestinha mais velho, que está comigo quase todos os dias já à quase 16 anos...

Enfim, não vou fazer nada de especial que o tempo é de poupança e não estou com grande espírito para festas. Provavelmente irei jantar fora e mais nada de especial, pois para mim é uma bela prenda não ter de cozinhar e pensar o que fazer para comermos  :)

E prontos, esta sou eu!!!!



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Farta de pagar a crise!!!!

Hoje estou zangada, muito zangada! Por isso tinha de escrever este post hoje, não podia deixar passar a raiva que tenho dentro de mim acalmar...

Depois do que ouvi ontem ser dito pelo 1º ministro, só vos posso dizer que tenho vergonha de ser portuguesa, de ter nascido no mesmo pais de todos os idiotas que contribuíram para a crise e se encheram durante estes anos todos. Porque eu não fui de certeza! E não me venham com histórias que eu trabalho às quase 24 anos, paguei os meus impostos até ao ultimo cêntimo SEMPRE, nunca escondi dinheiro nenhum e tudo o que tenho foi conquistado por mim e pelo meu marido com o suor do nosso rosto.

Sou da função publica SIM!!! E por isso tenho de pagar a crise? Mais uma vez digo que trabalho às quase 24 anos, tenho um curso superior e levo para casa ao fim do mês 1.600€, é assim tanto dinheiro???? E agora tenho de pagar a crise para a qual outros contribuíram????  NÃO QUERO!!!!

Porque só a função publica tem de pagar? Como é que eu vou dizer aos meus filhos que no próximo ano não podem ir de férias mas os amigos deles cujos pais trabalham em empresas particulares podem ir porque vão ter subsídios de férias????? Quem lhes vai explicar isso???? Acreditem que vou pedir uma audiência ao 1º ministro e vou por a comunicação social ao barulho porque quero que expliquem não a mim mas aos meus filhos.... E previno já que eles são inteligentes!!!! Por isso espero que quando crescerem tirem um curso tercnico.profissional mas não um curso superior pois não vale a pena ou que vão para o estrangeiro pois aqui só se dá valor ao compadrio e aos amiguinhos do poleiro, pois quem tem valor é posto de parte se não tiver "padrinhos".

E não pensei que só estou a refilar por refilar, tenho toda a razão do mundo, ora vejam a minha história...

Comecei a trabalhar aos 18 anos pois éramos muito pobres porque o meu pai teve um AVC quando eu tinha 5 anos e ficou com uma reforma miserável, que RSI's não existam, se não tinhas dinheiro, azar!!!! Os meus padrinhos queriam pagar-me um curso superior mas eu optei por ir trabalhar para ajudar financeiramente em casa.

Tirei o meu curso superior à noite, à custa de muitos sacrifícios pois via os meus amigos irem para a praia e passear e eu ficava a queimar as pestanas. Achei que valia a pena, agora tenho grandes duvidas...

Apaixonei-me, casei, comprei uma casa para morar, quis filhos, tive dificuldade em engravidar, fiz tratamentos e tive o meu 1º filho ao fim de 8 anos. Adoptei o 2º ao fim de 8 anos de lista de espera na Segurança Social.
Trabalho na função publica de à uns anos para cá, desde que a Instituição onde trabalhava com contrato individual de trabalho foi fundida com outras instituições do estado.
Se acho que está tudo bem aqui?? Não, claro que não está.
Se se gasta dinheiro mal gasto? Sim, sem duvida, em coisas que não interessam a ninguém a não ser àqueles que se querem encher...
Se há pessoas na função publica que não fazem a ponta de um corno? Sim, há umas quantas que toda a gente sabe quem são mas não tem tomates para fazer nada.
E será que os emprestáveis a parasitas estão todos na função publica? Não, claro que não, existem em todo o lado, em todas as sociedades
Se existem pessoas trabalhadores e boas funcionárias na função publica? Sem duvida nenhuma! Tantas, muitas, imensas que contribuem para que a nossa sociedade e para o nosso bem estar... Já pensaram o que seria do nosso pais que não existissem os trabalhadores da função publica? Quem nos ia socorrer nos hospitais, que iria apanhar o lixo que existe nas ruas e tantas coisas mais que não interessa colocar aqui???

Todos nós temos uma história sobre aquela repartição de Finanças onde fomos e nos trataram mal ou nos fizeram esperar uma eternidade, mas e histórias positivas ninguém tem? Não há pessoas bondosas que nos ajudam a tratar dos assuntos que necessitamos, que nos informam do que queremos saber??? Desafio-vos a partilharem uma experiência positiva com trabalhadores da função publica?

E nas empresas particulares, são todos espetaculares, fantásticos, queridos e simpáticos? Há de tudo, sem duvida! Eu podia contar aqui histórias de experiência com entidades particulares que são muito pouco simpáticas, de lojas e restaurantes em que fui quase tratada a pontapé... 

Ok, então penso que estamos todos de acordo, nem tudo o que é mau está na função publica, nem tudo o que é bom está no particular.

Mais uma coisa, acredito que todos nós conhecemos casos (eu pelo menos conheço casos reais, não estou aqui no diz que disse) em que as entidades patronais declaração apenas os salários mínimos mas depois pagam muito mais aos funcionários, em que as pessoas apenas passam os recibos verdes necessários para atingirem os montantes mínimos ou que lhes interessam, em que se dizem "mães solteiras" quando os pais das crianças vivem lá em casa com elas mas tem morada fiscal noutro sitio e por isso recebem subsídios e ajudas de tudo o que é sitio, de pessoas que recebem subsídios de desemprego mas estão a trabalhar noutros sítios onde não lhes passam recibos, digam lá CONHECEM OU NÃO CONHECEM ESTAS HISTÓRIAS????

Eu como sou trabalhadora da função publica a minha entidade particular declara o meu salário e todos os subsídios que eventualmente me possam ser atribuídos, casei com o pai dos meus filhos e nunca me passou pela cabeça que ele pudesse morar fora de casa só para receber apoios, os únicos subsídios que recebi foi de licença de maternidade quando tive os meus filhos, em 23 anos de serviço apenas fiquei uma semana doente em casa de resto sempre trabalhei ranhosa e com febre.

Então depois de este testamento todo, expliquem-me como se eu fosse muito mas muito burra porque é que eu tenho de pagar a crise mais do que os outros???? Porque sou da função publica????? Porque não posso fugir aos impostos??? Porque quando preciso de alguma coisa nunca me dão, pois não tenho nem um reles abono te família nem seque um médico de família no centro de saúde do qual faço parte????

Sinto-me revoltada, triste, infeliz, sem ver uma luz ao fundo do tunel, receio por mim, pelos meus filhos, pela minha integridade mental e fisica também. Gostava de saber que mal fiz, se nunca roubei nem desviei nada a ninguém.

E não posso fazer nada, só ver a minha vida a desvanecer, a não conseguir avançar com a vida pela qual sempre lutei, apetece-me gritar, bater, partir, ralhar, mas não é dessa forma que se resolvem as coisas.

PS - Já agora acrescento que o meu marido também trabalha na função publica e por isso para o ano lá em casa não vai entrar nenhum subsidio nem de férias nem de natal....

PS2 - E se os anónimos que vem aqui deixar comentário se identificasse? Podiam ser Zé, António ou Maria mas gosto de chamar as pessoas pelos nomes... E já agora, contem a vossa história como deve ser, digam-me a vossa formação profissional e à quanto tempo trabalham (sim que eu também ganhava 50 contos quando comecei a trabalhar à 23 anos... Obrigada!

Nome do meu baby mais velho

Nome do meu baby mais novo