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sexta-feira, 25 de março de 2011

Ter mais filhos

Sempre quis ter muitos filhos. Gosto muito de crianças, sou filha única e sempre me imaginei numa casa cheia de crianças a correr de um lado para o outro.

Quis o destino trocar-me as voltas e a infertilidade entrou de mansinho na minha vida. Foram precisos 8 anos para o meu filho biológico entrar na minha vida. Para que tal acontecesse fiz vários tratamentos mais simples, como indução de ovulação e mais tarde 3 micro-injecções e 2 Transferência de Embriões Congelados. Fique gravida do 2º tratamento mas sofri um aborto espontâneo à 7 semanas. Nessa altura, em 2002 , inscrevi-me para a adopção.

Nunca engravidei espontâneamente, apesar de todos os médicos e todos os exames apontarem para que era algo perfeitamente possível, mas ao fim de quase 15 anos de casamento, a verdade é que engravidei 2 vezes, através de tratamentos de procriação medicamente assistida.

Voltei a tentar engravidar do 2º filho. Como não podia recorrer a hospitais do estado utilizei o dinheiro que a minha mãe me tinha deixado quando faleceu para fazer mais tratamentos. Nunca chegada à fase de fazer o beta para saber se estava gravida pois uns dias antes aparecia aquele-cujo-nome-não-vou-mencionar e o sonho acabava antes quase de começar a ter esperança.

A médica achou que o meu sangue coagulava com muita rapidez e acabei por fazer exames no Instituto Ricardo Jorge que indicaram que tinha um problema de coagulação congénito. Achei que o problema estava encontrado, era aqui que estava a dificuldade de implantação dos embriões e voltei a fazer tratamentos, desta vez dando injecções na barriga de um anti-coagulante. Mas de nada valeu, continuava a não chegar a fazer a beta e resolvemos desistir, era chover no molhado.

Bem, desistir é uma força de expressão, eu nunca descobri onde estava o botão para desligar a vontade de ter mais filhos...

Em Janeiro do ano passado chegou o Eduardo à minha vida, pela via da adopção e acreditem que nos 1ºs tempos não pensava mais em engravidar, pois a minha vida estava mais ocupada do que nunca e 2 filhos parecia-me perfeito.

Mas eu sou humana e como tal, nunca estou totalmente feliz com o que tenho. Volta e meia dou comigo a sonhar em ter mais um filho, pois 3 era agora o meu nº ideal de filhos... Todos os meses acredito num milagre, todos os meses tenho um bocadinho de esperança, mesmo em meses como este, em que tive montes de dores de barriga, de costa e de cabeça, sintomas da chegada daquele-cujo-nome-não-vou-mencionar. Mesmo sabendo que tenho 41 anos e nunca engravidei naturalmente e que a fertilidade é cada vez menor a cada ano que passa. Mesmo sabendo que ter mais um filho implicaria encargos financeiros que neste momento nos iriam tornar a vida verdadeiramente difícil.

Depois há alturas piores, quando de repente me vejo confrontada com noticias de montes de pessoas gravidas à minha volta, do 1º, 2º ou 3º filho... Fico feliz por elas, fico sim, mas cá no fundo queria de novo sentir uma vida a crescer dentro de mim, queria também eu ter uma noticia destas para partilhar...

Sei que vão pensar que pareço ingrata, que me estou a queixar de barriga cheia, que tenho 2 filhos magníficos e saudáveis e eu sei isso tudo, melhor do que ninguém, mas mesmo assim, desistir de vez só quando chegar a menopausa e muitas vezes anseio por ela, para deixar de sonhar e me sentir um pouco menos insatisfeita (ou não...).

Com tudo isto não quer dizer que não seja feliz. Sou e muito. Adoro os meus filhos, a minha vida com eles, dou graças por todas as pequenas alegrias que a vida me dá. Sou sortuda por ter seres maravilhosos na minha vida. Mas a vida também é feita de sonhos e se nos sentíssemos completamente satisfeitos na vida, então tinha atingido todos os objectivos e se calhar a vida não teria sentido.

Obrigada por estarem ai desse lado a ler estas minhas divagações, que podem até não fazer muito sentido e aqui fica uma foto das razões principais da minha felicidade :)



segunda-feira, 27 de julho de 2009

Este mês tive esperança mas...

... para não variar a esperança morreu na praia. O período atrasou-se quase 15 dias e apesar de os sintomas habituais estarem lá todos (dores de barriga e cabeça, enjoos, tonturas) eu fico sempre com uma secreta esperança que depois não tem seguimento. Os meus sintomas pré-menstruais são sempre parecidos com os de gravidez (excepto da dor de barriga...) mas das 2 vezes que fiquei gravida, os sintomas foram mesmo a ausência deles, por isso não sei porque ainda alimento esperanças.

Enfim, eu digo sempre que desisto, que não quero mais, mas todos os meses quero acreditar num milagre. Eu tento esquecer, mas as pessoas não mo deixam fazer, estão sempre a dizer coisas do tipo:
- Vais ver que o 2º filho vai ser fácil, é sempre assim.... (esta já passou mais à história...)
- Não te rales, não vez a C.? Fez tanta coisa e quando desistiu, ficou gravida, vês como é fácil?
- Vais ver que quando estiveres perto da menopausa, ficas gravida logo, as mulheres que tem dificuldade em engravidar, quando estão a entrar na menopausa engravidam facilmente!

Adorei a ultima teoria, é recente e sem duvida que deve ser fundamentada em vários estudos ciêntificos, por isso basta sentar-me e esperar que a menopausa me bata à porta... Claro que eu conheço e toda a gente conhece casos em que assim foi, mas isso são excepções e eu já tive mesmo o meu milagre que é o meu filho.

Também confesso que se por um lado fiquei triste (como sempre, esta é uma tristeza recorrente, mensal mesmo) pensei que assim é melhor, pois o meu filho do coração já deve ter nascido e deve estar algures à minha espera, se ficasse gravida se calhar não o podia ir buscar, certo?????

Sei que isto é um disparate mas eu sou uma pessoa que faço muito filmes. Por isso não consigo deixar de pensar se na próxima festa da terra da minha mãe em vez de 3 pessoas já vão 4. Ou se nas férias do próximo ano tenho de levar mais uma caminha de viagem. Ou se no próximo Natal o pinheiro terá mais prendas debaixo dele.

Porque quando estamos gravidas sabemos que se tudo correr bem, em que altura tudo isso vai acontecer. Mas esperar o filho do coração é esperar que o telefone toque a qualquer altura e nos lance numa corrida louca para a chegada do próximo filho.

Falemos então antes do filho que já tenho junto de mim, que este fim de semana foi cortar o seu cabelo ao barbeiro do pai. Vejam as fotos do antes e do depois:



Para mim, mãe babada, ele fica lindo de qualquer maneira, o que acham?

Fomos também às compras, porque a minha pulga estava mesmo a precisar de uns sapatinhos, porque este ano todos lhe mordem os pés, até os crocos que ele tanto adora lhe magoam no sitio onde estão as molas. Comprei-lhe umas sandálias na Zara, muito giras, mas a pele deve estar mal curtida e cheiram mal até dizer chega! Logo o meu filhote que nem costuma cheirar mal dos pés fica uma bela doninha fedorenta.

Fomos à Outlett da Chicco, em Barcarena e comprei-lhe estas lindas sandálias por 12,50€. Bela compra, certo?




Comprei-lhe também uns ténis por 14€ e ele gosta tanto deles que nem os queria tirar quando chegou a casa! Viemos os 2 das compras super contentes.

De resto foi um fim de semana cheio de trabalho de casa, a mudar tralha, a arrumar tralha, etc. Férias, por favor, cheguem depressa!!!!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Conversas

- Mãe, o que é o dia 13 de Junho?
- É o dia do Stº António.
- Quem é o Stº António?
- É um santo que tem fama de ser casamenteiro, o que significa que ajuda a arranjar namorados ou namoradas. A mãe deitou uma moeda numa fonte desse santo e depois começou a namorar o teu pai... (risos)
- E eu também posso deitar uma moeda e pedir um desejo?
- Oh filho, não me parece que precises de pedir mais uma namorada, porque já tens 3 e elas já te devem dar que fazer...
- Mas como é que eu posso pedir um desejo?
- Olha, podes pedir um desejo a uma estrela. A mãe estava no Algarve e viu uma estrela cadente, pediu um filhote e depois apareceste tu... (parece que tudo o que mais desejei pedi a 3º, tipo milagre, não parece?)
- Mas mãe, agora não há estrelas, só à noite...
- Então logo à noite vamos à janela, procuramos a estrela mais brilhante e tu pedes um desejo. Mas que queres tu assim tanto e que é assim tão importante para ti, para pedir um desejo???? Posso saber????
- Queria pedir um mano...
- Um mano????
- Sim, um mano para brincar comigo, mas também pode ser uma mana.
- E sabes que se tiveres um mano tens de deixa-lo brincar com os teus brinquedos...
- Eu deixo, mãe, eu deixo!
- ...e tem de ver discos de bonecos e às vezes escolhe ele e outras vezes escolhes tu...
- (pausa) está bem, pode ser... (com ar pouco convencido)
- ... e a mãe tem de dar miminhos e atenção aos 2...
- Eu sei que tu consegues, mamã, tu és capaz de dar miminhos aos 2...
- E se fosse um irmão ou uma irmã mais crescidos, que não fossem bebés? Mas mais novos que tu, claro.
- E como pode ser isso, mamã?
- Sabes, existem meninos que não tem pai nem mãe. Podemos ir buscar um desses meninos e ele ou ela eram o teu mano ou a tua mana e eu podia ser a mamã deles e o teu pai o papá deles.
- E há meninos assim, sem pai nem mãe?
- Olha para mim, eu não tenho mamã nem papá, eles já morreram e foram para o Jesus.
- Mas tu és crescida...
- Isso não quer dizer nada, não é preciso ser-se crescido...
- E onde estão esses meninos?
- Então numa casa muito grande, à espera que uma mamã e um papá os vá buscar, gostavas de ir buscar lá um mano ou uma mana?
- Eu ia gostar muito, será que pode ser já no dia 13?

Eu perante esta conversa fiquei à beira das lágrimas. Nunca ele me tinha dito tão claramente que queria um mano, aliás muitas das vezes dizia que queria antes um gato ou um cão... Como lhe posso explicar que não lhe posso fazer a vontade de ter um mano? Que ele vai ser o único filho biológico que eu vou ter? Mas a esperança no filho do coração não acaba, estou cansada de esperar, será que está ai alguém desse lado, a ler este blog, que seja da Segurança Social???? :)

Nesse dia à noite, procuramos a estrela mais brilhante no céu e de mãos dadas, dissemos os 2:
- Estrela, estrelinha, a mais linda a brilhar, faz com que o meu desejo, se venha a realizar
E o meu filhote, num sussurro, disse:
- Quero manos!


sexta-feira, 15 de maio de 2009

12 de Maio de 2004

A data de 12 de Maio terá sempre um grande significado para mim. Foi no dia 12 de Maio de 2004 que diz a transferência de 3 projectos de babys para a minha barriga. Era a 5 vez que o fazia e nessa altura do campeonato, a esperança já começava a diminuir.


Lembro-me de ter saido da MAC e de ter ido para casa da minha mãe. As cerimónias do dia 12 de Maio, transmitidas de Fátima, estavam a dar na televisão. E eu rezei, rezei com muita fé e pedi à Nossa Senhora, que é mãe, para me conceder a graça de ser mãe como ela.


Penso que ela me ouviu, pelo menos eu acreditei nisso na altura, porque desde que a minha máe morreu que a minha fé anda pelas ruas da amargura, mas isso é outra história que não tem a ver com o post de hoje.


Dos 3 pseudo-babys apenas um se agarrou com muita força à minha barriga. E 15 dias depois, quando fiz o teste de gravidez ao sangue (vulgo beta) tinha um valor muito baixinho, de 10,25. Confesso que não fiquei muito entusiasmado, mas o meu filho já era um lutador desde as 1ªs células e o valor subiu 2 dias depois e na semana seguinte os valores já ultrapassavam a casa dos 1000.


Só que eu ainda tinha medo. Tinha sofrido um aborto espontâneo às 7 semanas, depois do 2º tratamento e tive medo que algo do género pudesse acontecer. Mas correu tudo bem. Quando fiz a 1ª eco às 8 semanas, o feijãozinho lá estava, com um pontinho a piscar no lugar do seu coração. E na 2ª eco, pelas 12 semanas, eu tive a certeza absoluta que ia ser mãe.


Geralmente as pessoas que passam pela infertilidade tem sempre receio de não conseguir levar até ao fim a gravidez que tanto desejaram. Mas eu, a partir da 12ª semana tive a certeza absoluta que tudo ia correr bem. se tinha custado tanto chegar ali, nada me ia parar agora.


E 9 meses depois nasceu o meu João Dinis. A luz que ilumina a minha vida. O meu farol, o meu tesouro. Amo-o mais que qualquer coisa no mundo e arredores, incondicionalmente e com uma paixão que não se explica, só quem é mãe compreende este sentimento tão arrebatador.


Queria dar-lhe irmãos. E tentei. Também faz mais ou menos um ano que dei por terminada a minha luta contra a infertilidade. O meu marido disse-me que estava cansado das expectativas que depois morriam na praia. Eu aceitei. Porque ter um filho é uma opção a 2 e não só minha. Mas dentro de mim a esperança nunca morreu. Porque não acreditar num 2º milagre?


Todos os meses quando o meu inimigo nº 1 aparece fico triste, uma vez até chorei e fiquei triste porque o meu marido achou que era um disparate, pois tinhamos desistido de tentar. Eu continuava com esperança.


Esta semana, não sei bem porquê, dei por mim a pensar que afinal eu nasci mesmo para ser mãe do João Dinis. Para o educar, para tratar dele, para lhe dar amor e carinho. Era este filho que eu tinha destinado. Mais nenhum. E ele é uma benção, sem duvida nehuma. Por isso agora é que resolvi mesmo tudo dentro da minha cabeça. Gostava de continuar a tentar? Sim, claro que sim. Mas se isso me faz sofrer tanto, para quê? Qual o objectivo?


Eu sei que vou ser mãe de novo, mas o meu filho ou a minha filha já nasceram. Algures neste pais ele ou ela está à minha espera. Ele(a) não me conhece nem eu a ele(a) mas seu que mais cedo ou mais tarde nos vamos encontrar. E este quase, quase de novo... Mas isso fica para outro post, que este já vais longo (para variar :)


Por isso agora vou dedicar-me a mimar e beijar e brincar e abraçar o meu filho lindo, esperando, sempre esperando pelo telefonema que me vai dizer que a minha familia vai aumentar.


Bom fim de semana






Posted by Picasa

Nome do meu baby mais velho

Nome do meu baby mais novo