Sempre quis ter muitos filhos. Gosto muito de crianças, sou filha única e sempre me imaginei numa casa cheia de crianças a correr de um lado para o outro.
Quis o destino trocar-me as voltas e a infertilidade entrou de mansinho na minha vida. Foram precisos 8 anos para o meu filho biológico entrar na minha vida. Para que tal acontecesse fiz vários tratamentos mais simples, como indução de ovulação e mais tarde 3 micro-injecções e 2 Transferência de Embriões Congelados. Fique gravida do 2º tratamento mas sofri um aborto espontâneo à 7 semanas. Nessa altura, em 2002 , inscrevi-me para a adopção.
Nunca engravidei espontâneamente, apesar de todos os médicos e todos os exames apontarem para que era algo perfeitamente possível, mas ao fim de quase 15 anos de casamento, a verdade é que engravidei 2 vezes, através de tratamentos de procriação medicamente assistida.
Voltei a tentar engravidar do 2º filho. Como não podia recorrer a hospitais do estado utilizei o dinheiro que a minha mãe me tinha deixado quando faleceu para fazer mais tratamentos. Nunca chegada à fase de fazer o beta para saber se estava gravida pois uns dias antes aparecia aquele-cujo-nome-não-vou-mencionar e o sonho acabava antes quase de começar a ter esperança.
A médica achou que o meu sangue coagulava com muita rapidez e acabei por fazer exames no Instituto Ricardo Jorge que indicaram que tinha um problema de coagulação congénito. Achei que o problema estava encontrado, era aqui que estava a dificuldade de implantação dos embriões e voltei a fazer tratamentos, desta vez dando injecções na barriga de um anti-coagulante. Mas de nada valeu, continuava a não chegar a fazer a beta e resolvemos desistir, era chover no molhado.
Bem, desistir é uma força de expressão, eu nunca descobri onde estava o botão para desligar a vontade de ter mais filhos...
Em Janeiro do ano passado chegou o Eduardo à minha vida, pela via da adopção e acreditem que nos 1ºs tempos não pensava mais em engravidar, pois a minha vida estava mais ocupada do que nunca e 2 filhos parecia-me perfeito.
Mas eu sou humana e como tal, nunca estou totalmente feliz com o que tenho. Volta e meia dou comigo a sonhar em ter mais um filho, pois 3 era agora o meu nº ideal de filhos... Todos os meses acredito num milagre, todos os meses tenho um bocadinho de esperança, mesmo em meses como este, em que tive montes de dores de barriga, de costa e de cabeça, sintomas da chegada daquele-cujo-nome-não-vou-mencionar. Mesmo sabendo que tenho 41 anos e nunca engravidei naturalmente e que a fertilidade é cada vez menor a cada ano que passa. Mesmo sabendo que ter mais um filho implicaria encargos financeiros que neste momento nos iriam tornar a vida verdadeiramente difícil.
Depois há alturas piores, quando de repente me vejo confrontada com noticias de montes de pessoas gravidas à minha volta, do 1º, 2º ou 3º filho... Fico feliz por elas, fico sim, mas cá no fundo queria de novo sentir uma vida a crescer dentro de mim, queria também eu ter uma noticia destas para partilhar...
Sei que vão pensar que pareço ingrata, que me estou a queixar de barriga cheia, que tenho 2 filhos magníficos e saudáveis e eu sei isso tudo, melhor do que ninguém, mas mesmo assim, desistir de vez só quando chegar a menopausa e muitas vezes anseio por ela, para deixar de sonhar e me sentir um pouco menos insatisfeita (ou não...).
Com tudo isto não quer dizer que não seja feliz. Sou e muito. Adoro os meus filhos, a minha vida com eles, dou graças por todas as pequenas alegrias que a vida me dá. Sou sortuda por ter seres maravilhosos na minha vida. Mas a vida também é feita de sonhos e se nos sentíssemos completamente satisfeitos na vida, então tinha atingido todos os objectivos e se calhar a vida não teria sentido.
Obrigada por estarem ai desse lado a ler estas minhas divagações, que podem até não fazer muito sentido e aqui fica uma foto das razões principais da minha felicidade :)



